Algumas dicas simples para tornar mais seguras as viagens em grupo

Em meus frequentes passeios e viagens que faço pelas estradas do nosso Brasil tenho a oportunidade de observar de perto uma série de acontecimentos que me preocuparam, pois são coisas aparentemente simples, mas que podem ocasionar sérios acidentes.

O pior é que vários fatores levam a crer que grande parcela acaba sendo gerada por pura falta de conhecimento e experiência, e não só por imprudência. Por isso venho compartilhar agora uma parte do que precisa ser observado com mais atenção, especialmente em viagens de grupo.

É imprescindível combinar antes o roteiro, para que fique bem definido onde serão os pontos de encontro, locais de parada e tudo mais. E uma dica a mais que dou é que, para estradas com pedágio, todos deixem o dinheiro correspondente com o líder, ou motociclista designado por ele, pois deste modo agiliza-se muito a passagem no momento de pagar.

Toda viagem em grupo tem que ser feita em formação, como na esquadrilha da fumaça por exemplo. Isso permite que os indivíduos estejam em distância segura entre si e possibilita uma boa margem para manobra e frenagem. As formações mais comuns são em fila dupla (zig-zag) e em fila única. Particularmente prefiro em zig-zag, pois o ocupa-se toda a largura da faixa de rolamento, garantindo mais segurança ao pelotão.

Por falar em pelotão, há dois personagens indispensáveis que precisam ser combinados no briefing da viagem, que são o chamado ponta ou ponteiro, o líder, se mantendo à frente, com a responsabilidade de conduzir o grupo, e o ferrolho, que fechará o grupo. É obrigatório que seja definido quem ocupará esses dois cargos na viagem, pois a presença deles evita dispersão do pelotão. Um terceiro personagem, importante em grupos maiores, é o batedor, ou ajudante de ferrolho, que se responsabiliza pela inibição da dispersão, quase que como um pastor de ovelhas, orientando o grupo pelas laterais, quando necessário.

Uma ação que também é indispensável, não só em grupo, mas no dia-a-dia, é sinalização e uso dos retrovisores. Antes de qualquer manobra, olhe com atenção se não vem ninguém e sinalize que fará a manobra. É comum ter alguém mais lento atrás e aparentemente dar para fazer a ultrapassagem, mas e se o veículo de trás resolver acelerar ao mesmo tempo? É batida, ou pelo menos um bom susto, na certa. Lembre-se que sempre poderá ter alguém mais rápido que você. Sinalize sempre, mesmo que para uma simples mudança de faixa.

Em um grupo a definição da velocidade é sempre pelo componente mais lento, e o ponteiro deve estar atento a isso. É comum parte do grupo querer dar uma estilingada, mas nunca se deve deixar dispersar. A conduta ideal é separar em dois pelotões, sendo um dos mais velozes e o dos mais lentos, cada um com seu ponteiro e ferrolho, ou então um pelotão só e quem quiser dar uma acelerada é só sair do bonde, dar a sua estilingada e parar mais à frente, no acostamento, à espera da passagem do pelotão, voltando ao mesmo.

Só faça uma ultrapassagem se você for se manter mais rápido que o indivíduo ultrapassado. Vi muitos casos em que um motociclista ultrapassou outro e depois freou, inclusive em curva, o que é mais preocupante e inadmissível. Para o indivíduo ultrapassado o pensamento é de que você está estilingando e permanecerá acelerando. Não vai esperar uma frenagem, que se ocorrer poderá resultar em batida e/ou queda.

Para aqueles motociclistas aspirantes a pilotos de motovelocidade, o mais recomendado é que andem em autódromos, tendo em vista a série de riscos que temos nas estradas, especialmente no que diz respeito a sujeiras na pista. É comum ter óleo ou areia no asfalto, e pegar um desses em uma curva pode ser fatal. Atenção especial em estradas com obras, pois a entrada e saída de caminhões e tratores deixa enormes rastros de detritos escorregadios. Por melhor que seja seu conjunto de pneus, pisar na areia ou óleo… não há habilidade que segure, amigo, é chão!

Seguindo essas dicas básicas e sempre mantendo o respeito às pessoas presentes na estrada, além do foco na pilotagem, a viagem do seu grupo tenderá a trazer somente boas recordações e belas histórias para contar.

Guia para grupos de motos

Autor: Eduardo Azeredo

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Do Rio de Janeiro, há mais de 14 anos envolvido com o motociclismo, e atua como piloto de testes e jornalista motociclístico para diversos veículos de comunicação, em especial o Jornal Motocycle, Revista Torque, CarPoint News, entre outros, fazendo avaliações / testes de motocicletas e produzindo matérias a respeito do mundo duas rodas. Também apresentador do programa Duas Rodas News, na emissora Luau TV

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