Tragédia anunciada na motovelocidade nacional

Foto: O Popular

A semana começa com mais uma perda para o motociclismo nacional, e foi na pista. Joãozinho Treze, figura conhecida e querida no motociclismo brasileiro, se foi ontem, em um sério acidente na etapa de Goiânia do SuperBike Brasil. Deixo aqui meus sentimentos à família e recomendo a todos a leitura do texto abaixo, escrito pelo especialista em segurança do trânsito, André Garcia.

Tragédia anunciada

Há pouco mais de 5 anos escrevi um texto “A morte ronda Interlagos” por ocasião de acidentes que envolveram pilotos de esporte a motor de duas e quatro rodas, especialmente do jornalista, fotógrafo e grande amigo João Lisboa.

Nesses 5 anos houve outras mortes e graves acidentes no esporte a motor de duas rodas, todavia, nada foi feito.

O “blá…blá…blá” é sempre o mesmo, pilotos, torcedores, jornalistas desabafam nas redes sociais, reclamam, dão receitas, mas nada é feito, não existe união e na semana seguinte montam nas motos e se colocam em risco acima do risco já existente.

Ontem na etapa de Goiânia mais um grave acidente que vitimou um piloto querido por todos, com boa experiência e que “se” tivesse dispositivo de segurança inflável como no Motogp e ainda um atendimento médico preparado como pede a ocasião, Joãozinho 13 talvez estivesse conosco.

De “se” o inferno está cheio é bem verdade, todavia, os dois únicos e principais campeonatos de motovelocidade do Brasil pecam no quesito segurança e primeiro atendimento médico. E não é por falta de patrocínio ou de dinheiro, mas pela mais pura ganância.

Todavia, tal economia é burra, desculpe o termo, mas não encontro outro no momento.

Na acepção da palavra quero dizer que falta inteligência, falta competência em administrar algo, falta visão.

E essa burrice são de todos os envolvidos: das organizações que economizam onde não poderia economizar, dos patrocinadores que aliam suas marcas a “morte anunciada”, dos pilotos que não se unem, por meio da Comissão de Pilotos, para exigir o mínimo.

O mínimo são barreiras de proteção infláveis ou Airfence, como conhecemos, um médico, de confiança, com sua equipe treinada em todos os eventos e bandeirinhas treinados.

O dispositivo inflável é fácil, já tem no Brasil e não é colocado por mediocridade dos organizadores que mesmo com experiência de pista, insistem em contar com o fator sorte e assim colocar mais dinheiro em seus bolsos.

E a equipe médica?

Tem um vídeo circulando sobre o atendimento dado ao Joãozinho 13 e a demora para a ambulância chegar ao local.

Equipe médica de atendimento de esporte a motor de velocidade, não pode ser qualquer uma, não pode ser de resgate comum, desses que estão na rua.

Demanda treinamento, demanda conhecimento e vasta experiência.

Na F1 na época do Senna, Dr. Sid Watikin era referência entre os pilotos da categoria, no Motogp o médico Dr.Claudio Costa não só foi referência entre os pilotos, como salvou a perna de Michael Doohan e criou a “clínica móvel” participando de todas as etapas.

E no Brasil?

Nós temos um médico capacitado para atender pilotos nessas circunstâncias, com um projeto de clínica móvel idêntico ao do Dr. Costa, mas, simplesmente, não tem apoio, não consegue patrocínio, não consegue ser remunerado a altura, todavia, sempre lembrado por todos, especialmente quando algo dá errado como no último domingo 18/10/2015.

Falo do Dr. Marcos Korukian e não vou aqui apresenta-lo, vá no Google e veja de quem estou falando, pergunte ao seu amigo piloto que já foi atendido por ele, enfim vá atrás de saber quem é o médico que estará nas Olimpíadas 2016 como especialista na modalidade de Hipismo.

Ninguém entra na pista sabendo que vai morrer ou pensando em morrer, portanto, nada me deixa mais indignado do que ler e ouvir frases como “morreu fazendo o que gostava”, com todo respeito: vai@#$%&

E os bandeirinhas??? Ah!!!!! É óbvio demais, vou encurtar esta parte.

Por fim, pilotos vamos parar de “blá…blá…blá” porque morreu mais um amigo e se unam, exijam o mínimo para a prática de um esporte que tem sim seus riscos, todavia, tem sim como amenizar o resultado acidente.

Afinal o importante é voltar para casa!

Sobre o autor: André Garcia é Palestrante & Consultor de Segurança de Trânsito, Motociclista, Advogado especializado em Gestão e Direito de Trânsito, Instrutor de Pilotagem formado pela Yamaha e Honda, Jornalista especializado no setor de duas rodas, colaborou com Motonline, Best Riders, Revista Moto! sempre criticando e formando opinião sobre Segurança & Legislação focado em motocicleta, laureado com os Prêmios ABRACICLO de Jornalismo 2008 – Destaque em Internet e 2013 – Vencedor na categoria Revista, Homenageado pelo Dia Internacional do Motociclista em 09/08/2013 pela Câmara Municipal de São Paulo e Associação Comercial de São Paulo com o Troféu “Marco do Paz” destinado a quem se destaca em trabalhos de ação social e pela construção da cultura de paz no mundo, atualmente é colunista colaborador de segurança de trânsito nas revistas e sites MOTO.com.br, SuperTopMotor.com.br, Perkons, ANFAMOTO e CIPA.

Autor: Eduardo Azeredo

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Do Rio de Janeiro, há mais de 14 anos envolvido com o motociclismo, e atua como piloto de testes e jornalista motociclístico para diversos veículos de comunicação, em especial o Jornal Motocycle, Revista Torque, CarPoint News, entre outros, fazendo avaliações / testes de motocicletas e produzindo matérias a respeito do mundo duas rodas. Também apresentador do programa Duas Rodas News, na emissora Luau TV

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