Traxx Fly 250

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Eu, assim como a grande maioria dos brasileiros, por questões históricas, sempre tive um certo receio em relação à qualidade de produtos chineses, mas a Traxx Fly 250, assim como os demais modelos da marca chinesa vêm demonstrando, é um verdadeiro tapa na cara de quem pensa dessa forma.

A Traxx, presente no Brasil há mais de 10 anos e com fábrica estabelecida em Manaus (AM), ainda é desconhecida por boa parte dos brasileiros, apesar de ser uma das líderes em vendas no nordeste do país, ostentando enorme frota predominantemente de scooters. E agora, com estratégia de entrar forte no mercado do sul e sudeste do país, oferece sua linha 250, lançada em 2015.

A Fly 250 faz sua presença no segmento trail, que está entre os preferidos dos brasileiros, exigindo motos versáteis, econômicas, duráveis e confiáveis, capazes de encarar com total versatilidade o duro dia a dia das cidades, na grande maioria com péssimas condições de piso e muito trânsito.

Impulsionada por motor monocilíndrico de 223 cc, gerando potência de 16 cv a 7000 RPM e torque de 1,7 kgf.m a 6000 RPM, trabalhando com injeção eletrônica, refrigeração líquida e câmbio de 6 marchas, a moto conta com repostas rápidas em baixa rotação, mas sem muito prolongamento de giro, alcançando velocidade máxima em torno dos 125 km/h. Tudo sem passar nenhuma vibração para piloto e garupa.

Traxx Fly 250

A pequena trail apresenta um conjunto que proporciona desempenho bem interessante para uso urbano, encarando tranquilamente os corredores e demais desafios, mas também se sai bem em uma estradinha. Nas rodovias, desenvolvendo velocidades mais elevadas, deixou um pouco a desejar em relação a sua aerodinâmica, se mostrando bastante sensível também a ventos contra, gerando um pouco de turbulência excessiva para o piloto.

Durante os testes apresentou consumo que oscilou entre 26,8 e 29,4 km/l na cidade e na estrada chegou a fazer 31,6 km/l, permitindo ótima autonomia, com seu tanque comportando 10 litros de gasolina.

Rodei bastante com a Fly 250, inclusive no fora de estrada, e em diversos aspectos a máquina superou as minhas expectativas, mostrando que a marca realmente está se esforçando para brigar forte pela sua fatia no mercado.

Óbvio que algumas falhas existem, talvez por questão de redução de custo ou por falta de adaptação à realidade brasileira, mas num contexto geral, a construção da moto é ótima, representando um excelente custo-benefício.

Dotada de design bastante interessante, com linhas robustas e carenagens destacadas, exibe algumas sutilezas que mostram o cuidado que a fabricante teve com produto, disponibilizando bom acabamento e alguns detalhes que normalmente não são encontrados em motos de baixa cilindrada, como o lampejador de farol alto (botão de piscar farol alto), piscas em LED e integrados com a carenagem (na dianteira), além do bagageiro (de fábrica), entre outros detalhes.

Integrado com o farol, que ilumina com qualidade, o painel de instrumentos é bem simples, mas funcional e de boa leitura, contando com velocímetro analógico e um pequeno display digital com os demais indicadores, inclusive de nível de combustível.

A posição de pilotagem e ergonomia são muito boas, tanto para piloto quanto para garupa, que contam com banco de bom tamanho e relativamente macio, apesar de escorregadio.

A suspensão é excelente, contando com bengalas invertidas na dianteira e traseira monoamortecida com ajuste de pré-carga, fazendo com que a Fly 250 se comporte muito bem, proporcionando conforto e estabilidade, tanto em terrenos esburacados quanto em asfalto liso, sendo perfeita para a realidade das vias brasileiras que, mesmo asfaltadas, parecem um verdadeiro território off-road.

Traxx Fly 250

Os testes fora de estrada mostraram com louvor a grande qualidade do conjunto de suspensão, que encarou terrenos extremamente irregulares com total naturalidade, permitindo muita diversão para quem curte uma brincadeira longe do asfalto.

A ciclística é fantástica, mesmo com seus 131 kg de peso seco, fazendo da pequena trail uma moto fácil de pilotar, muito “obediente” e ágil, firme em mudanças rápidas de direção, além de precisa em curvas, tolerando forte grau de inclinação com bastante segurança.

Um ponto negativo que me chamou atenção fica por conta da qualidade dos pneus originais de fábrica, que não correspondem plenamente ao desempenho da máquina, limitando sua performance, deixando a desejar especialmente em curvas de alta velocidade e frenagens, passando um pouco de insegurança em alguns momentos.

O freio é um tanto borrachudo – macio demais -, mas cumpre muito bem seu papel, parando a moto com eficiência, além de ter acionamento relativamente leve, já surtindo efeito se acionado com apenas dois dedos, tendo em sua estrutura um sistema a disco na dianteira e na traseira.

Montada em Manaus (AM), chega para o público por um preço bem convidativo, sugerido em R$ 9.390, representando um excelente custo-benefício, disponível nas cores vermelha ou preta.

Em um panorama geral a Traxx Fly 250 se mostrou uma moto muito divertida, versátil e econômica, ideal para uso urbano, com potência adequada para o dia a dia, design bem interessante, além de detentora ótimo conjunto de suspensão que a faz capaz também de brincadeiras leves fora de estrada.

Para ver a avaliação completa, ficha técnica e fotos do modelo, acesse o site do Duas Rodas News no www.duasrodasnews.com

Confira as fotos da Traxx Fly 250:

Ficha técnica
DIMENSÕES:
Comprimento: 2050mm
Largura: 830mm
Altura: 1120mm
Distância entre eixos: 1365mm
Distância do solo: 255mm
Carga máxima: 214 kg
Peso: 131 kg
Tanque de combustível: 10 L

SUSPENSÃO
Suspensão dianteira: Garfo telescópico (Invertida)
Curso: 160mm
Suspensão traseira: Braço oscilante
Curso: 213mm
Freio dianteiro (diâmetro): hidráulico a disco , 240mm
Freio traseiro (diâmetro): 220mm
Pneu dianteiro: 90/90 – 19
Pneu traseiro: 110/90 – 17

MOTOR
Motor: OHC, monocilíndrico 4T, arrefecido a óleo, Gasolina
Cilindrada: 223cm³
Potência máxima: 12kW (7500±500rpm)
Torque: 16.7N.m(6000±500rpm)
Taxa de compressão: 9.2:1
Câmbio: 6 velocidades
Partida: elétrica
Sistema de alimentação: Injeção eletrônica

Autor: Eduardo Azeredo

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Do Rio de Janeiro, há mais de 14 anos envolvido com o motociclismo, e atua como piloto de testes e jornalista motociclístico para diversos veículos de comunicação, em especial o Jornal Motocycle, Revista Torque, CarPoint News, entre outros, fazendo avaliações / testes de motocicletas e produzindo matérias a respeito do mundo duas rodas. Também apresentador do programa Duas Rodas News, na emissora Luau TV

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