Kawasaki Ninja 300

A Kawasaki Ninja 300 é uma moto que me proporcionou agradáveis surpresas desde o início, pois tinha a expectativa de encontrar simplesmente uma versão melhorada da antecessora Ninja 250R, mas as mudanças encontradas foram muito além do que imaginei e encontrei praticamente um projeto diferente, muito melhor e que mostra com propriedade a que veio, desbancando sem medo a concorrência atual no mercado nacional.

Dotada de motor 296 cm³ com 2 cilindros, gerando 39 cv de potência a 11.000 rpm e 2,8 kgf.m de torque a 10.000 rpm, e câmbio de 6 marchas com trocas precisas, a pequena esportiva oferece ao piloto um comportamento nervoso, com pouquíssima vibração, que começa a mostrar todo seu potencial a partir dos 6-7 mil giros, chegando facilmente aos 150 km/h, com performance invejável que leva até próximo dos 200 km/h, mas a estrutura é “magrela” e não dá tanta segurança para que o piloto queira voar baixo.

A 300 trabalha melhor em alta rotação, com isso deixou a desejar um pouco em algumas retomadas, exigindo redução de marcha pra conseguir elevar rapidamente o giro e retomar o embalo.

O consumo durante os testes oscilou entre 20,7 km/l e 24,7 km/l, dependendo da tocada, que é muito bom diante da performance que a máquina tem com seu valente motor. Associando à capacidade de 17 litros de gasolina no tanque, temos uma boa autonomia para viagens.

O modelo testado foi a versão sem freios ABS, com disco duplo na dianteira e disco único na traseira, mas se comportou muito bem, com frenagens seguras, mesmo em situações de acionamento mais brusco. Tive a oportunidade de pilotar também a versão com ABS e os ganhos são excelentes em relação à segurança e qualidade da frenagem.

Na estrada fiquei muito satisfeito com a performance em curvas. A pequena exibe um jogo de cintura invejável pela sua ciclística muito bem elaborada, e bom conjunto de suspensão, mas há um limitador, por culpa da própria Kawasaki, que é o jogo de pneus que vem de fábrica. Tenho certeza de que com pneus melhores, com mais aderência, que acompanhem o rendimento da moto, permitiriam mostrar todo o potencial escondido nesse belo projeto.

Seu comportamento no uso urbano foi fantástico, pois justamente por ser levinha, pesando apenas 172 kg, e com boa manobrabilidade, se sai bem nos corredores, com grande agilidade e versatilidade. Sendo uma ótima opção inclusive pra encarar o trânsito do dia-a-dia.

A Ninjinha tem design é imponente, agressivo, com faróis duplos e linhas que remetem às grandes esportivas da marca. O painel de instrumentos é bonito, bem distribuído e com fácil leitura, evidenciando o grande conta-giros analógico na parte central e o velocímetro nos instrumentos digitais.

O conforto é um ponto onde não houve tanta evolução em relação à versão 250, pois continua com a mesma posição, tanto para o piloto quanto para a garupa, que é confortável, mas bastante limitada quanto à possibilidade de ajustes. Não consegui, por exemplo, colocar os manetes de freio e embreagem na posição ideal para a minha altura, além dos bancos serem pequenos e duros. Somando tudo a fazem uma motocicleta desconfortável para trajetos mais longos.

Quem for pegar uma pode escolher entre as cores Lime Green, Ebony, Pearl White ou Special Edition e desembolsar R$ 17.990,00 na versão sem ABS ou R$ 19.990,00 na versão com ABS, preço sugerido pela fábrica, sem frete, para motos 2013.

Em resumo a Kawasaki Ninja 300 é uma ótima opção para quem quer ter sua primeira esportiva. Uma moto valente, que se destaca com sobra diante das concorrentes, oferecendo design diferenciado, excelente desempenho, bom conforto e alta performance, dentro das suas possibilidades, para encarar uma cidade, estrada ou pista.

Ficha técnica:

Motor: 4 tempos, 2 cilindros paralelos, refrigeração líquida
Cilindrada: 296 cc
Diâmetro x curso: 62,0 x 49 mm
Taxa de compressão: 10,6:1
Sistema de válvulas: DOHC, 8 válvulas
Potência máxima: 29 KW (39 CV) / 11.000 rpm
Torque máximo: 27 N•m (2,8 kgf•m) / 10.000 rpm
Sistema de combustível: Injeção eletrônica
Sistema de ignição: Digital
Sistema de partida: Partida elétrica
Sistema de lubrificação: Lubrificação forçada (cárter úmido)
Transmissão: 6 velocidades
Sistema de acionamento: Corrente de transmissão
Relação de redução primária: 3,087 (71/23)
Relação da 1ª marcha: 2,714 (38/14)
Relação da 2ª marcha: 1,789 (34/19)
Relação da 3ª marcha: 1,409 (31/22)
Relação da 4ª marcha: 1,160 (29/25)
Relação da 5ª marcha: 1,000 (27/27)
Relação da 6ª marcha: 0,857 (24/28)
Relação de redução final: 3,000 (42/14)
Sistema de embreagem: Multidisco, em banho de óleo
Tipo de quadro: Tubular em aço de alta elasticidade
Inclinação / Trail: 27° / 93 mm
Suspensão dianteira: Garfo telescópico de 37 mm
Suspensão traseira: Uni-Trak com amortecedor a gás e com pré-carga da mola ajustável em 5 níveis
Curso da suspensão dianteira: 120 mm
Curso da suspensão traseira: 132 mm
Pneu dianteiro: 110/70-17M/C (54S)
Pneu traseiro: 140/70-17M/C (66S)
Freio dianteiro: Disco de 290 mm em formato margarida e pinça de pistão duplo
Freio traseiro: Disco de 220 mm em formato margarida e pinça com pistão duplo
Ângulo de direção (esq. / dir.): 35° / 35°
Dimensões C x L x A: 2.015 mm x 715 mm x 1.110 mm
Distância entre eixos: 1.405 mm
Distância do solo: 140 mm
Altura do assento: 785 mm
Capacidade do tanque: 17 litros
Peso em ordem de marcha: 172 kg / 174 kg (ABS)

Autor: Eduardo Azeredo

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Do Rio de Janeiro, há mais de 14 anos envolvido com o motociclismo, e atua como piloto de testes e jornalista motociclístico para diversos veículos de comunicação, em especial o Jornal Motocycle, Revista Torque, CarPoint News, entre outros, fazendo avaliações / testes de motocicletas e produzindo matérias a respeito do mundo duas rodas. Também apresentador do programa Duas Rodas News, na emissora Luau TV

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