O perigo de pilotar esportivamente nas estradas

A cada dia que passa as estatísticas envolvendo acidentes em rodovias aumentam, e são vários os fatores que levam a isso, especialmente dependendo da região do país, pois envolve questão cultural, infraestrutura, nível de responsabilidade dos orgãos públicos, entre muitas outras coisas.

Sempre dou grande força para que os motociclistas que querem pilotar esportivamente procurem autódromos, mas ao mesmo tempo reconheço que em alguns casos, como por exemplo aqui no Rio de Janeiro, a situação fica mais complicada, pela não existência de um autódromo próximo.

Sei o quanto é inviável ficar indo para autódromos em outros estados, ainda mais se a pessoa gosta de andar com frequência, mas mesmo assim é necessário ter muito cuidado, pois estrada definitivamente não é um local confiável para abusar do desempenho da moto.

São muitos os perigos e nas estradas brasileiras, uma vez que, ao contrário do que se vê fora do país, nenhuma atenção é dada aos motociclistas na hora de construir uma via, os riscos se tornam ainda maiores.

Um exemplo que passo de cara a vocês é o dos guard-rails, aquelas barreiras de proteção que beiram e separam as vias. Na Itália, por exemplo, eles tem um complemento de proteção na parte baixa, voltada às motocicletas e pilotos, que quando caem tendem a ir deslizando rente ao chão, mas já no Brasil a proteção é feita apenas na altura média dos parachoques dos carros, e no caso de um acidente de moto resta apenas uma navalha que literalmente tem cortado a vida de muitos motociclistas.

As rodovias sinuosas são as preferidas, pois quanto mais curvas melhor, e aí entram, por exemplo, a BR-040, no Rio, e a Morungaba, em Sampa, cada uma com suas peculiaridades, e riscos, mas ambas motociclisticamente atraentes… A BR-040 tem deliciosas curvas com ótimo asfaltamento e pistas de ida e volta separadas, mas é uma estrada de muita sujeira no chão, por conta de caminhões e obras, e com guard-rail fatiador de pilotos. Em Morungaba também belas curvas e pouco movimento de veículos, mas asfaltamento ruim e via de mão dupla sem separação. Ou seja, por mais atraente que possa parecer determinada estrada, os riscos existem e são muito altos, levando a crer que não vale a pena botar a vida em jogo.

Recentemente, a caminho do estúdio da Luau TV, em estrada que leva à bela serra de Nova Friburgo, para gravar o programa, percebi a moto derrapando em muitas curvas, mas o asfalto estava aparentemente limpo e seco, só mais alguns quilômetros à frente encontrei a fonte do problema, um absurdo, diga-se de passagem, era um caminhão transportando areia lavada, despejando uma quantidade enorme de areia molhada no chão. Agora imaginem se eu estivesse andando forte… talvez não estivesse aqui agora passando essa dica a vocês.

Por essas e outra reforço: dê preferência aos autódromos. Lá não tem guard-rail, não tem caminhões, não tem óleo na pista, não tem animais ou pedestres, entre outros em uma infinidade de riscos que passamos nas ruas e estradas. É caro? Sim, mas vale o esforço.

Deixo claro que essa é minha opinião pessoal, apenas com o intuito de preservar vidas. A motocicleta é indiscutivelmente uma ferramenta de liberdade e prazer, e deve se limitar a isso. Se abusar dos riscos, vidas podem ser interrompidas ou drasticamente prejudicadas. Aí repito a pergunta, vale a pena se arriscar?

Assista à matéria no programa Duas Rodas News:

Autor: Eduardo Azeredo

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Do Rio de Janeiro, há mais de 14 anos envolvido com o motociclismo, e atua como piloto de testes e jornalista motociclístico para diversos veículos de comunicação, em especial o Jornal Motocycle, Revista Torque, CarPoint News, entre outros, fazendo avaliações / testes de motocicletas e produzindo matérias a respeito do mundo duas rodas. Também apresentador do programa Duas Rodas News, na emissora Luau TV

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