Motociclistas, dificultem o roubo de suas motocicletas

O roubo de motocicletas no Brasil vem assumindo proporções gigantescas, a ponto de alguns modelos de motos terem o preço de seu seguro mais caro do que de alguns carros de luxo, e parte dessa culpa é dos próprios motociclistas.

São muitas as razões para esse alto volume de roubos, como os roubos de motocicletas para executarem assaltos, normalmente de motos leves e velozes usadas para fugas, os roubos apenas para levar as motos para as favelas, para os líderes das comunidades tirem uma onda lá dentro, geralmente de motos big-trail ou esportivas, os roubos para desmanche, para venda das peças no mercado negro, entre muitas outras possibilidades.

Os mais preocupantes de uns anos para cá são justamente os roubos para desmanche, que só eram cometidos com motos pequenas e de pouco valor de mercado, pois os proprietários muitas vezes não tinham grana para comprar as peças em lojas e acabaram recorrendo aos desmanches, assim criando um ciclo que prejudicaria a eles mesmos.

Com o passar do tempo e o crescimento do mercado motociclístico brasileiro, ficou mais fácil para parte da população comprar motos maiores e mais caras, por conta principalmente dos longos financiamentos e das baixas taxas de juros. Por um lado isso foi muito bom, possibilitando a realização de muitos sonhos de ter um motão, mas como na hora de fazer a manutenção ou reparo nessas motos o custo é alto, muitos desses motociclistas recorrem ao mercado ilegal, trazendo um efeito colateral perigoso que vem prejudicando a todos nós, onde os roubos de motocicletas, independente da cilindrada ou do preço, aumenta a cada dia.

É comum ver motociclistas perguntando sobre locais de venda peças mais baratas, pois na revenda está muito caro, o que de fato é uma realidade, mas na maior parte dos casos ainda é a melhor solução. E é grande a quantidade de pessoas que alimenta o mercado negro na inocência, sem ter noção do que está fazendo.

Até bem pouco tempo existiam modelos de motos que o índice de roubo era zerado ou muito pequeno, mas atualmente chegaram a ponto ter inclusive quadrilhas especializadas nesses determinados modelos ou marcas, e essa bandidagem vem sendo alimentada pelo mercado negro de peças, sustentados pelos próprios motociclistas.

Quero mostrar a vocês que a lógica é bem simples: se não tiver quem compre, não vai ter quem venda essas peças roubadas e com isso o ciclo se quebra, pois o mercado negro não vai ter para quem repassar as peças e não vai ter mais razão para roubar as motos.

Aos que se julgam espertos e compram conscientemente peças no mercado negro, não esqueça que amanhã ou depois você poderá ser a vítima da bandidagem que você mesmo alimenta, podendo custar muito caro, pagando com sua própria vida. Vale a pena?

Deixo também o alerta às forças polícias, pois muitos desses pontos de vendas tem endereço fixo, alguns até em grandes centros comerciais, e podem sim, com certa facilidade, ser desmantelados. Então porque não voltar um pouco dos esforços das operações policiais para a interrupção do movimento dessas quadrilhas?

Motociclistas, façam um pouco de sacrifício e só comprem peças originais e com procedência, ou então as chamadas paralelas em lojas legalizadas. Não esqueçam que uma das maiores características do motociclismo é a solidariedade, e não comprando peças roubadas, estamos nos preocupando conosco, mas também com todos os nossos irmãos motociclistas, e isso não deixa de ser um grande exemplo de solidariedade.

Assista à matéria no programa Duas Rodas News:

Autor: Eduardo Azeredo

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Do Rio de Janeiro, há mais de 14 anos envolvido com o motociclismo, e atua como piloto de testes e jornalista motociclístico para diversos veículos de comunicação, em especial o Jornal Motocycle, Revista Torque, CarPoint News, entre outros, fazendo avaliações / testes de motocicletas e produzindo matérias a respeito do mundo duas rodas. Também apresentador do programa Duas Rodas News, na emissora Luau TV

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