Vai colocar combustível? Muito cuidado, pois você pode ser enganado

Falar de combustíveis no Brasil é sempre um assunto muito polêmico, pois envolve diversas picaretagens de várias formas, cores, medidas, origens, capazes de deixar qualquer consumidor perdido. Convivemos com problemas que vão desde preços abusivos, passando por adulteração da bomba até adulteração do combustível propriamente dito.

Em um intervalo de menos de 3 semanas senti na pele, por duas vezes o peso dessa indústria cheia de covardias e criminalidade. Minha moto, uma Suzuki GSX750F, carburada, que estava funcionando maravilhosamente bem, após ser abastecida num posto de bandeira Ipiranga na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, onde abastecia frequentemente, começou a ficar estranha, presa, oscilando muito o giro, engasgando em média rotação. E não foi uma gasolina qualquer, pois habitualmente coloco o melhor da linha de cada marca, no caso do Ipiranga, a gasolina Premium, custando R$3,56 o litro.

Lá fui eu para a oficina Center Moto, em Botafogo, onde faço toda a manutenção da minha moto. De cara veio o diagnóstico de que o problema foi ocasionado pela péssima qualidade da gasolina e obviamente troquei de posto. Foi necessário fazer toda a carburação da moto, limpeza do sistema e lavagem do tanque, para que o problema fosse sanado.

Logo após pegar a moto pronta, funcionando maravilhosamente bem, retomei um hábito antigo, de abastecer com a V-Power, da Shell. No caso o posto escolhido foi um em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, e onde R$3,19 por litro. No primeiro abastecimento, tudo normal, mas no segundo o comportamento voltou a ficar estranho. A moto ficou aparentemente operando e apenas dois dos seus quatro cilindros. Na primeira oportunidade voltei à oficina e lá estava a constatação do problema, mais uma vez o combustível.

Na oficina fizemos um breve teste onde foram coletadas duas pequenas amostras, uma da gasolina que estava no tanque e outra de uma das gasolinas que a oficina usa nas suas motos de competição, que é uma gasolina comercializada normalmente, a Podium, da Petrobras, e o resultado foi assustador. As duas amostras foram jogadas numa superfície e a do estoque da oficina prontamente começou a evaporar e secar, enquanto a que estava no tanque da minha moto formou uma borra escura manchando o solo.

Deixo claro que não estou, em momento algum, contestando a qualidade das bandeiras mencionadas ou de suas marcas, meu protesto é especificamente direcionado aos postos que cometem crime de adulteração de combustíveis, manchando a imagem de empresas sérias e, principalmente prejudicando os veículos de milhares de brasileiros.

Alerto a todos que tomem bastante cuidado, escolham bem o posto onde vão abastecer. Tentem fidelizar com ele, para caso venham a ter problemas, saber exatamente para onde direcionar a reclamação.

Em caso de problemas, procure a ANP (Agência Nacional do Petróleo), responsável pela regulamentação e fiscalização dos postos de combustíveis, e procurem também o serviço de atendimento ao cliente da bandeira que utilizou. Torço para que atitudes sejam tomadas e o consumidor passe a ser devidamente respeitado.

Abaixo disponibilizo o contato da ANP e os sites das principais bandeiras:
ANP: 0800-970-0267 | www.anp.gov.br
Shell: www.shell.com.br
Ipiranga: www.ipiranga.com.br
Petrobras: www.br.com.br
Ale: www.ale.com.br
Forza: www.forza.com.br

Autor: Eduardo Azeredo

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Do Rio de Janeiro, há mais de 14 anos envolvido com o motociclismo, e atua como piloto de testes e jornalista motociclístico para diversos veículos de comunicação, em especial o Jornal Motocycle, Revista Torque, CarPoint News, entre outros, fazendo avaliações / testes de motocicletas e produzindo matérias a respeito do mundo duas rodas. Também apresentador do programa Duas Rodas News, na emissora Luau TV

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