Kawasaki Ninja ZX-6R 636

A Kawasaki é, inegavelmente, uma das referências em motos esportivas, no Brasil e no mundo, com o nome Ninja sendo um verdadeiro sinônimo de esportividade, e hoje você vai ver a avaliação de uma das principais representantes atuais dessa família, a Kawasaki Ninja ZX-6R 636.

Seu design segue as linhas tradicionais das esportivas da marca japonesa, com conjunto ótico, rabeta e carenagem muito bem desenhados e eficientes, proporcionando ótima aerodinâmica, especialmente em altas velocidades. Contando também com painel de instrumentos que evidencia o grande conta-giros analógico e traz um display digital completo e de fácil leitura.

Essa moto me surpreendeu desde o primeiro momento em que montei nela. Por coincidência iniciei os testes com a 636 imediatamente após ficar mais de 20 dias com a ZX-10R, então esperava uma ergonomia similar ou pior que a da 1000, mas o que encontrei foi outro perfil completamente diferente. Mesmo com meus quase 2 metros de altura, vesti a moto, ficando totalmente confortável e à vontade. Os mais baixinhos vão ficar em uma posição bem diferente, com o corpo bem pra frente, mas de todo modo a posição de pilotagem e ergonomia desse projeto são muito boas.

Vem dotada de motor 4 cilindros em linha com 636 cc, gerando potência máxima 137 cv a 13.500 RPM e torque máximo de 7.2 kgf.m a 11.500 RPM, com sistema de indução de ar que permite um aumento no rendimento em altas rotações.

Um detalhe interessante, que ajuda no uso urbano, é que, assim como na ZX-10R, com a moto parada a passagem da primeira marcha para o Neutro é guiada, sem chance de errar e passar direto pra segunda, e por falar nisso, seu câmbio de 6 marchas é preciso e rápido, colaborando na composição de um conjunto primoroso.

Mesmo com todo seu excelente desempenho e performance, durante os vários dias de testes foram muitos abastecimentos de gasolina e a fera se mostrou econômica, fazendo médias de 16,82 km/l no uso urbano e oscilando entre 14,59 e 15,18 km/l na estrada, favorecendo uma boa autonomia, tendo em vista seu tanque com capacidade pra 17 litros de combustível.

Com eletrônica embarcada apurada a ZX-6R permite ao piloto ajustar as configurações de acordo com seu modo de pilotagem, regulando desde o controle de potência, em dois níveis (Low e Full) até o sistema de controle de tração, ajustável em 3 níveis, além do excelente sistema de freios KIBS, o ABS exclusivo da Kawasaki, que corresponde plenamente à grande performance da 636, com toda segurança.

Tem ótima distribuição de seus 194 kg de peso, entre-eixos curto e esterça bem, permitindo incríveis ciclística e manobrabilidade, possibilitando desenhar as curvas com extrema segurança e precisão, graças também ao refinado conjunto de suspensão, que permite total estabilidade e conta com ajustes de pré-carga na dianteira e traseira.

Um ponto negativo nessa Ninja fica por conta dos pneus que vem de fábrica, pois apesar de serem bons, não acompanham o rendimento da máquina, limitando muito a sua performance, principalmente em curvas que exijam bastante inclinação.

A elasticidade do motor é impressionante, uma das características que mais me chamou atenção na moto, permitindo pilotar com poucas trocas de marcha. Me peguei diversas vezes andando de 5 marcha a velocidades baixas, cerca de 30-40 km/h, no meio do trânsito, e com boas retomadas, mesmo em giros baixos.

Seu voraz motor proporciona uma aceleração um pouco braba, dando alguns trancos em retomadas, especialmente até a terceira marcha. Em alta rotação, acima dos 5 mil RPM, ela tem um funcionamento muito mais linear e fica totalmente na mão do piloto, ainda mais fácil de pilotar.

A moto usada no teste apresentou um aumento representativo na vibração em rotações mais altas, acima dos 8 mil RPM, sentido principalmente nas pedaleiras. Não chegava a incomodar tanto, mas aí vai da sensibilidade de cada motociclista.

O banco é bem alongado, dando muita área de trabalho e deslocamento pro piloto. Dá pra chegar bem pra trás na hora de carenar nas retas e pra trabalhar bem o posicionamento na hora de pendular nas curvas, independente da estatura.

No uso urbano, principalmente pelo seu porte mais compacto e por ser uma moto muito equilibrada e fácil de pilotar, se torna bastante versátil, dando até pra usar os corredores sem qualquer preocupação. Na estrada seu comportamento é impecável, transbordando desempenho, possibilitando ultrapassagens com a maior tranquilidade possível, e conforto, possibilitando rodar longos trajetos sem se cansar.

Logicamente a melhor parte dos testes foi quando coloquei essa bela moto na pista, onde pude acelerar com tudo e sentir em detalhes cada uma das características da superesportiva, que de maneira geral superou minhas espectativas, exibindo um desempenho sensacional, com grande segurança nas curvas, limitada apenas pelos pneus, como eu já tinha dito, e seu motor falando alto, permitindo uma performance bastante diferenciada.

Quem quiser ter essa belezinha nas mãos tem que desembolsar R$ 51.990 na versão sem freios ABS e R$ 54.990 na versão com ABS, preço sugerido para São Paulo, sem impostos e frete, e poderá escolher entre as cores verde ou branca, mas ficará na certeza de que tem em sua garagem uma das melhores motos do mercado brasileiro na atualidade, pronta pra fazer bonito nas ruas, estradas e pistas, por onde você for.

Ficha técnica:
Motor: 4 tempos, 4 cilindros em linha, refrigeração líquida
Cilindrada: 636 cc
Diâmetro x curso: 67,0 x 45,1 mm
Taxa de compressão: 12,9:1
Sistema de válvulas: DOHC, 16 válvulas
Potência máxima: 96,4 kW (131 CV) / 13.500 rpm
Potência máxima: com RAM AIR 101 kW (137 CV) / 13.500 rpm
Torque máximo: 71 N•m (7.2 kgf•m) / 11.500 rpm
Sistema de combustível: Injeção eletrônica
Sistema de ignição: Bateria e bobina (ignição transistorizada)
Sistema de partida: Elétrica
Sistema de lubrificação: Lubrificação forçada (cárter úmido com óleo refrigerado)
Transmissão: 6 velocidades
Sistema de acionamento: Corrente de transmissão
Relação de redução primária: 1,900 (76/40)
Relação da 1ª marcha: 2,846 (37/13)
Relação da 2ª marcha: 2,200 (33/15)
Relação da 3ª marcha: 1,850 (37/20)
Relação da 4ª marcha: 1,600 (32/20)
Relação da 5ª marcha: 1,421 (27/19)
Relação da 6ª marcha: 1,300 (26/20)
Relação de redução final: 2,688 (43/16)
Sistema de embreagem: Multidisco, em banho de óleo
Tipo de quadro: Perimetral em alumínio prensado
Inclinação / Trail: 23º / 101 mm
Suspensão dianteira: Garfo invertido de 41 mm com compressão, retorno e pré-carga da mola totalmente ajustáveis
Suspensão traseira: Uni-Trak com amortecedor a gás, compressão, retorno e pré-carga da mola totalmente ajustáveis
Curso da suspensão dianteira: 120 mm
Curso da suspensão traseira: 134 mm
Pneu dianteiro: 120/70ZR17M/C (58W)
Pneu traseiro: 180/55ZR17M/C (73W)
Freio dianteiro: Disco duplo de 310 mm em formato margarida, pinça dupla de fixação radial com 4 pistões opostos de alumínio
Freio traseiro: Disco simples de 220 mm em formato margarida, pinça com pistão simples de alumínio
Ângulo de direção (esq. / dir.): 27º / 27º
Dimensões C x L x A: 2.085 mm x 705 mm x 1.115 mm
Distância entre eixos: 1.395 mm
Distância do solo: 130 mm
Altura do assento: 830 mm
Capacidade do tanque: 17 litros
Peso em ordem de marcha: 192 kg / 194 kg (ABS)
Cores: Lime Green, Pearl White

Assista à avaliação no programa Duas Rodas News

Autor: Eduardo Azeredo

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Do Rio de Janeiro, há mais de 14 anos envolvido com o motociclismo, e atua como piloto de testes e jornalista motociclístico para diversos veículos de comunicação, em especial o Jornal Motocycle, Revista Torque, CarPoint News, entre outros, fazendo avaliações / testes de motocicletas e produzindo matérias a respeito do mundo duas rodas. Também apresentador do programa Duas Rodas News, na emissora Luau TV

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